
Foto: Prefeitura do Rio de Janeiro
A Prefeitura do Rio estuda ampliar o alcance do BRT para além da capital, com foco em São João de Meriti e Nova Iguaçu. A movimentação recoloca a integração metropolitana no centro do debate e pode impactar diretamente a rotina de milhares de passageiros da Baixada Fluminense que viajam diariamente para trabalhar no Rio.
BRT entra em nova fase de estudo
Os estudos iniciais em andamento miram a expansão do sistema rumo à Baixada Fluminense, com atenção especial para as ligações com São João de Meriti e Nova Iguaçu. A proposta surge após a Prefeitura do Rio ter iniciado a estruturação do chamado BRT Metropolitano, pensado para integrar ônibus intermunicipais ao sistema de alta capacidade da cidade.
A ideia não nasce do zero. Em agosto de 2025, a prefeitura anunciou que a primeira etapa do projeto beneficiaria municípios como Belford Roxo, Japeri, Mesquita, Nilópolis, Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados e São João do Meriti, com promessa de integração entre ônibus municipais, intermunicipais, BRT e VLT.
Foto: Divulgação/Prefeitura do Rio
Nova Iguaçu e São João de Meriti no radar
O avanço dos estudos para essas duas cidades reforça um eixo considerado estratégico pela administração municipal. Em janeiro, durante vistoria nas obras do terminal metropolitano em Irajá, a própria Prefeitura do Rio já havia citado Nova Iguaçu e São João de Meriti entre os municípios contemplados na primeira fase do projeto, ao lado de outras cidades da Baixada.
Terminal metropolitano abriu caminho para integração
A inauguração do Terminal BRT Metropolitano Pedro Fernandes, em Irajá, em 14 de março, foi apresentada pela Prefeitura do Rio como o primeiro grande passo para essa conexão regional. O equipamento passou a concentrar serviços do BRT Transbrasil, conexões metropolitanas e ônibus urbanos municipais, ampliando o acesso entre a capital e a Região Metropolitana.
Segundo a prefeitura, o terminal recebeu investimento de R$ 46,8 milhões, tem área de mais de 63 mil metros quadrados e foi planejado para reorganizar a operação dos ônibus na região. Na inauguração, 32 ônibus articulados começaram a operar nos serviços iniciais do terminal, enquanto a linha 77 foi anunciada como a primeira ligação direta entre outro município e o sistema BRT Transbrasil.
Linha 77 expôs impasse com o Detro
Poucos dias depois, porém, a ligação com a Baixada Fluminense virou motivo de disputa. A linha 77, que conectaria Mesquita ao terminal metropolitano em Irajá, começou a operar em 16 de março com 15 ônibus convencionais, mas foi interrompida após ação do Detro, que alegou que a criação de uma linha intermunicipal seria competência do estado.
Após o impasse, Prefeitura do Rio e Detro chegaram a um acordo provisório. Em vez da operação original, três linhas intermunicipais já existentes passaram a circular, em caráter experimental, até o terminal em Irajá, fora do horário de pico, com 15 ônibus, tarifa de R$ 6,70 e integração posterior ao BRT, mediante nova cobrança de R$ 5.
Foi justamente nesse contexto que o prefeito Eduardo Paes voltou a falar em ampliar a conexão da Transbrasil para Nova Iguaçu, Belford Roxo e São João de Meriti, indicando que a integração metropolitana continua no radar mesmo após a controvérsia envolvendo a linha 77.
Repercussão para quem depende do transporte todos os dias
O peso social e econômico do projeto é grande. De acordo com a Prefeitura do Rio, cerca de 200 mil pessoas chegam diariamente ao Centro pela Rodovia Presidente Dutra, em 34 linhas intermunicipais, com cerca de 299 ônibus e tarifas entre R$ 11,15 e R$ 17,95. Muitos passageiros gastam até quatro horas por dia nos deslocamentos de ida e volta.
A administração municipal sustenta que a integração pode reduzir o tempo de viagem em até 50% e ampliar o acesso ao Centro, à Zona Norte, à Barra da Tijuca, ao Recreio e ao Aeroporto Internacional Tom Jobim, por meio das conexões com os corredores Transbrasil, Transoeste, Transolímpica e Transcarioca. Também foi criado o Bilhete Único Integração Margaridas, com tarifa de R$ 9,20 para até três embarques em até três horas, usando o sistema digital Jaé.
Baixada Fluminense no centro da mobilidade regional
A discussão sobre levar o BRT a Nova Iguaçu e São João de Meriti vai além de uma nova obra. Ela mexe com o tempo de deslocamento, o custo da passagem e a qualidade de vida de quem cruza a Região Metropolitana todos os dias. Se os estudos avançarem, o projeto pode representar uma mudança relevante na forma como a Baixada Fluminense se conecta ao Rio.
O post BRT pode avançar para a Baixada e mudar viagens ao Rio apareceu primeiro em Cidade de Niterói.
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