
A praia de 1 km com dois rios de água doce nas pontas que só pode ser acessada por trilha ou barco a partir de Niterói // IMAGEM ILUSTRATIVA
A cerca de 4 horas de viagem desde o Centro de Niterói, a Praia de Dois Rios, em Angra dos Reis, recebe o visitante com cheiro de mar aberto, areia amarela quente sob os pés e o som de dois rios de água doce que correm em paralelo até desaguar nas pontas opostas da faixa de areia. São apenas 1 km de praia, sem hospedagem e sem comércio, acessível só por trilha ou barco.
Por que essa praia tem dois rios de água doce que dão nome a ela?
Os dois rios nascem nos morros cobertos de Mata Atlântica que cercam a faixa de areia e descem pela vegetação até encontrar o oceano nas extremidades opostas da praia. A geografia rara permite uma experiência incomum: o visitante pode tomar banho de mar e banho de rio no mesmo dia, sem sair da areia.
A praia tem cerca de 1 km de extensão, com areia amarela e ondas fortes vindas do mar aberto. A vegetação preservada do entorno faz parte da maior reserva de Mata Atlântica do litoral fluminense e integra o sítio Paraty e Ilha Grande, Cultura e Biodiversidade, reconhecido como Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) em 2019.
Praia de Dois Rios, em Angra dos Reis // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons
Como o passado da praia virou o maior agente de preservação?
A faixa de areia abrigou uma colônia penal de 1903 a 1994, ano em que as instalações foram desativadas pelo então governador Leonel Brizola. Durante quase um século, o isolamento causado pela presença da unidade afastou completamente o turismo da região e protegeu a vegetação, os rios e a costa de qualquer ocupação.
Esse isolamento involuntário acabou se tornando o principal motivo da preservação atual da praia. Quando a unidade foi fechada, a região já estava praticamente intocada. Hoje, segundo a Prefeitura de Angra dos Reis, as ruínas integram o circuito histórico-cultural do município e o terreno é administrado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), que mantém ali o Centro de Estudos Ambientais e Desenvolvimento Sustentado (CEADS) para pesquisa e proteção da biodiversidade local.
Praia de Dois Rios, em Angra dos Reis // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons
Como é o acesso à praia mais isolada de Angra
O caminho mais comum é por trilha. A T14 começa na Vila do Abraão, principal vilarejo da Ilha Grande, e tem cerca de 9 km de extensão, podendo ser reduzida para 7,5 km com atalhos. O percurso leva entre 2h30 e 3h, dependendo do ritmo do caminhante, e é considerado de dificuldade média.
Curiosamente, a T14 é a única estrada da Ilha Grande usada por veículos. Carros do lixo, vans da UERJ e poucos moradores circulam por ela. Visitantes cansados costumam pegar carona com esses veículos no caminho de volta. Quem não quer encarar a trilha pode optar por passeios de barco como o Super Sul, que parte do Cais de Santa Luzia em Angra e passa pela praia, mas o roteiro depende das condições do mar aberto.
Quem planeja uma trilha inesquecível na Ilha Grande, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Destino e Cultura – Will e Ana, que conta com mais de 8.800 visualizações, onde Will e Ana mostram o caminho para a Praia de Dois Rios e as histórias do antigo presídio no Rio de Janeiro:
Vale o esforço da caminhada?
Vale para quem busca uma das praias mais preservadas do litoral fluminense, sem multidão, sem música alta e sem qualquer estrutura comercial. A vila atual tem cerca de 150 moradores, descendentes de antigas famílias de pescadores e funcionários da extinta unidade, que ainda hoje vivem da pesca artesanal e do turismo de passagem.
Algumas casas abrem para servir refeições caseiras à base de peixe fresco, mas a oferta é limitada. Não há quiosques, restaurantes formais nem hospedagem na praia, e o pernoite no local é proibido. Por isso, quem visita precisa programar o dia para voltar à Vila do Abraão antes do anoitecer, levando água, lanche e protetor solar.
Leia também: A 4 km do centro de Niterói: a praia de águas calmas e esverdeadas que abraça uma ilha de quase 400 anos
Qual a melhor época para encarar a trilha até a praia?
O outono e o inverno são as melhores janelas, com menos chuva, temperatura amena e trilhas mais firmes. Veja o resumo por estação:
🏖️Verão
Dezembro a fevereiro23°C a 32°C
O calorão atrai chuvas frequentes, deixando as trilhas escorregadias. A dica é focar no banho de rio e mar pela manhã para fugir das pancadas.
💧 Chuva Alta
🥾Outono
Março a maio20°C a 28°C
A chuva e o calor diminuem. Uma ótima janela de transição para realizar a trilha com temperatura amena e terrenos mais firmes.
☁️ Chuva Média
⛰️Inverno
Junho a agosto17°C a 26°C
A melhor época! As chuvas são baixas e o tempo seco garante a melhor condição para a caminhada com céu limpo e um visual deslumbrante.
⭐ Melhor Época / Seco
🍃Primavera
Setembro a novembro19°C a 27°C
A natureza se renova e as temperaturas sobem suavemente. Um excelente período para curtir a paisagem e a contemplação sem multidão.
☁️ Chuva Média
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Vale a viagem para conhecer essa raridade do litoral fluminense
A praia entrega o que pouquíssimos lugares do litoral do Rio de Janeiro ainda conseguem oferecer: 1 km de areia amarela, dois rios de água doce em paralelo, mar de cara braba e zero ocupação comercial. É o tipo de lugar que só sobrou intacto porque a história, durante 91 anos, manteve qualquer ocupação à distância.
Você precisa calçar um tênis confortável, encarar a trilha pela Mata Atlântica e descobrir por que essa faixa de areia é considerada um dos cantos mais raros e bonitos do litoral fluminense.
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