
Real Gabinete Português de Leitura // Créditos: Wikimedia Commons
A fachada talhada em pedra portuguesa aparece de repente numa rua estreita do centro do Rio de Janeiro. Por dentro, estantes de madeira sobem até o teto, cobertas por livros que somam mais de três séculos de história. O Real Gabinete Português de Leitura, fundado em 1837, guarda o maior acervo de autores portugueses fora de Portugal e uma das arquiteturas mais fotografadas do país.
43 imigrantes e uma ideia que virou patrimônio
Tudo começou em 14 de maio de 1837, quando 43 imigrantes portugueses se reuniram na antiga Rua Direita (atual Rua Primeiro de Março) para fundar um espaço de leitura. Muitos eram refugiados políticos, comerciantes e jornalistas que haviam deixado Portugal durante as guerras liberais. O objetivo era simples: manter viva a cultura portuguesa na capital do Império.
Real Gabinete Português de Leitura // Créditos: Wikimedia Commons
O acervo cresceu rápido. Representantes em Lisboa compravam edições raras que já eram disputadas na época. A joia da coleção é a edição prínceps d’Os Lusíadas, de Luís de Camões, publicada em 1572. O Gabinete também conserva manuscritos originais de Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco, e do Dicionário da Língua Tupi, de Gonçalves Dias. Em 1900, a biblioteca se abriu ao público. Em 1906, o rei D. Carlos concedeu o título “Real”.
Por que a arquitetura lembra o Mosteiro dos Jerônimos?
Porque foi essa a intenção. O arquiteto português Rafael da Silva e Castro projetou o edifício em estilo neomanuelino, inspirado diretamente no Mosteiro dos Jerônimos de Lisboa. A pedra de lioz da fachada foi talhada pelo artista Germano José Salle em Portugal e transportada de navio até o Rio. A construção durou de 1880 a 1887, e a pedra fundamental foi lançada por Dom Pedro II.
Quatro estátuas guardam a entrada: Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral, Infante Dom Henrique e Luís de Camões. No interior, o salão de leitura impressiona com estantes de madeira ornamentada, uma claraboia em estrutura de ferro (a primeira do tipo no Brasil) e um lustre que domina o centro do espaço. O Altar da Pátria, peça de prata, marfim e mármore com 1,7 m de altura, celebra a era dos Descobrimentos.
Real Gabinete Português de Leitura // Créditos: Wikimedia Commons
O que ver dentro do Real Gabinete?
A visitação é gratuita e livre. O salão principal concentra a experiência visual que colocou o Gabinete entre as bibliotecas mais bonitas do mundo, segundo a Time (2021) e a Architecture & Design.
Salão de Leitura: paredes cobertas de livros do piso ao teto, claraboia de ferro e vitral, lustre central. É o espaço mais fotografado.
Sala dos Brasões: segundo andar, com auditório usado para concertos, colóquios e seminários abertos ao público.
Vitrines de obras raras: a edição prínceps d’Os Lusíadas e outros manuscritos ficam em exposição protegida.
Busto de Camões: no centro do salão, o poeta observa o acervo que leva seu nome à rua.
Lojinha de souvenirs: na parte externa, à direita da entrada principal.
As cinco primeiras sessões solenes da Academia Brasileira de Letras aconteceram nesse salão, sob a presidência de Machado de Assis. O Gabinete também é depósito legal de Portugal desde 1935: toda obra publicada no país é enviada para o acervo no Rio.
Quem é apaixonado por literatura, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Literature-se, que conta com mais de 240 mil inscritos, onde Mell Ferraz mostra a beleza e o acervo histórico do Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro:
Quando visitar o Gabinete?
O Real Gabinete Português de Leitura funciona de segunda a sexta, das 10h às 17h, com entrada gratuita. Não abre aos sábados, domingos e feriados. Visitas guiadas acontecem às terças (10h30) e quintas (15h), com duração de cerca de 1h.
O centro do Rio tem clima quente e úmido no verão, com pancadas de chuva à tarde. O inverno seco, entre junho e agosto, é o período mais confortável para caminhar pela região. Como o Gabinete funciona em dias úteis, a melhor estratégia é combinar a visita com outros pontos do centro histórico.
Como sair de Niterói e chegar ao Gabinete?
O caminho mais rápido é a barca. Da Praça Arariboia, em Niterói, a travessia até a Praça XV leva cerca de 20 minutos. De lá, são 10 minutos a pé pela Rua do Ouvidor ou pela Avenida Rio Branco até a Rua Luís de Camões, 30, no Largo de São Francisco. O trajeto total não passa de 30 minutos, porta a porta.
Outra opção é o VLT Carioca: desça na estação Saara ou São Cristóvão e caminhe até o Gabinete. De metrô, as estações mais próximas são Uruguaiana (350 m) e Carioca (500 m). A distância entre Niterói e o Gabinete é de aproximadamente 15 km pela via rodoviária (pela Ponte Rio-Niterói), mas o trajeto de carro não é recomendado por causa do trânsito e da falta de estacionamento na região.
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Um presente português no coração do Rio
O Real Gabinete é mais do que uma biblioteca. É o lugar onde 43 emigrantes transformaram saudade em cultura, onde Machado de Assis presidiu as primeiras sessões da Academia e onde uma edição de 1572 divide espaço com livros que chegam de Lisboa todo ano.
Você precisa cruzar a baía numa manhã de terça ou quinta, entrar pelo portão de pedra e olhar para cima no salão de leitura para entender por que esse endereço virou peregrinação de leitores do mundo inteiro.
O post A biblioteca com 350 mil livros que já foi cenário da Academia Brasileira de Letras fica a 30 minutos de Niterói apareceu primeiro em Cidade de Niterói.
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