
Foto: Oscar Liberal/Iphan
Os tradicionais vitrais da Igreja da Candelária, no Centro do Rio de Janeiro, passam por uma restauração inédita. Pela primeira vez em 127 anos desde a instalação, os painéis foram totalmente retirados para receber tratamento especializado.
A intervenção mira a preservação de um dos conjuntos artísticos mais importantes do patrimônio religioso e cultural carioca. Além de recuperar as peças, o projeto prevê medidas para reduzir umidade, proteger os vidros e formar profissionais da área de conservação.
Vitrais da Igreja da Candelária passam por restauração inédita
A restauração dos vitrais da Igreja da Candelária marca um momento histórico para o patrimônio cultural do Rio. Os painéis foram removidos pela primeira vez desde que foram instalados, em 1899.
O projeto foi analisado e aprovado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A iniciativa é do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) e da Irmandade do Santíssimo Sacramento da Candelária (ISSC), com acompanhamento do Iphan ao longo de todo o processo.
A ação conta com financiamento da Fundação Gerda Henkel, da Alemanha, e apoio do Consulado Alemão.
Segundo a Prefeitura do Rio, o projeto “Vitrais da Igreja da Candelária: restauração de um patrimônio em risco” tem aporte de R$ 1,6 milhão, aproximadamente 273 mil euros, por meio do programa internacional Funding Initiative Patrimonies.
Foto: Oscar Liberal/Iphan
Três vitrais estão no processo de restauro
Ao todo, três vitrais passam pelo processo de recuperação. O principal, localizado na área central da igreja, retrata Nossa Senhora da Candelária com o menino Jesus.
Os dois vitrais laterais representam anjos anunciadores. A intervenção envolveu a retirada cuidadosa de 117 painéis de vidro e chumbo. São 39 painéis em cada vitral.
A remoção permite que os especialistas identifiquem danos acumulados ao longo de mais de um século. Entre os problemas apontados estão ação do tempo, poluição e episódios de vandalismo.
Vidros da Alemanha serão usados na recuperação
Para preservar as características originais das peças, serão importados da Alemanha vidros coloridos especiais semelhantes aos utilizados nos vitrais no século 19.
O trabalho também inclui:
uso de pigmentos esmaltados;
aplicação de tintas especiais à base de prata;
recomposição das cores originais;
instalação de vidraças de proteção;
colocação de telas metálicas;
recuperação da rede de chumbo;
tratamento de trincas;
recomposição de lacunas nos vidros;
limpeza especializada;
consolidação de pinturas fragilizadas.
A solução de proteção segue modelos adotados em países europeus para preservar esse tipo de patrimônio histórico.
Sistema de ventilação vai combater umidade nos painéis
Outra etapa importante será a implantação de um novo sistema de ventilação junto aos vitrais. A medida busca reduzir a umidade na face interna dos painéis. O problema é provocado pela condensação e pode prejudicar os vidros pintados.
A intervenção também prevê a instalação de vidraças com sistema isotérmico de ventilação. A proposta é aumentar a durabilidade das peças e reduzir riscos futuros. A conclusão do restauro está prevista para o segundo semestre de 2026.
Patrimônio cultural também terá formação profissional
A restauração ocorre na sede da Irmandade de Nossa Senhora da Candelária, também no Centro do Rio. Além da recuperação física das obras, o projeto inclui uma etapa de formação.
Um curso sobre técnicas de restauro em vitrais foi oferecido a profissionais que atuam na conservação do patrimônio cultural.
A iniciativa amplia o impacto do projeto. Além de preservar os vitrais, também contribui para qualificar especialistas que poderão atuar em futuras ações de conservação.
“Além de acompanhar de perto cada etapa dessa restauração, o Iphan também está representado no curso, o que reforça a troca de conhecimentos e a importância da formação contínua para a preservação qualificada do patrimônio cultural”, destacou a superintendente do Iphan no Rio de Janeiro, Patricia Corrêa.
Obras foram criadas no século 19
Os vitrais da decoração monumental da igreja foram concebidos por João Zeferino da Costa, com colaboração de Henrique Bernardelli. A execução ocorreu em 1898, pelo Real Estabelecimento de Vidraças Artísticas de F. X. Zettler, em Munique, na Alemanha. As peças foram instaladas em 1899.
O artista também deixou desenhos originais com anotações. Esses registros hoje orientam o trabalho de restauração. A Igreja de Nossa Senhora da Candelária é tombada pelo Iphan desde 1938. O templo é um dos principais marcos históricos e arquitetônicos do Centro do Rio.
Danos acumulados exigiram intervenção especializada
Para a restauradora e técnica do Iphan Cláudia Nunes, a intervenção é essencial para garantir a longevidade das peças.
“O restauro é essencial porque, ao longo de mais de um século, os vitrais sofreram com intempéries, poluição e até atos de vandalismo. Agora, com a remoção das peças, foi possível identificar esses danos com mais precisão e adotar medidas de proteção. A restauração garante a preservação e amplia a durabilidade desses vitrais”, ressaltou Nunes.
Projeto terá seminário, exposição e livro
O cronograma também prevê ações de difusão do conhecimento. Estão previstos um seminário internacional em agosto, uma exposição pública e a publicação de um livro para documentar o processo de restauração.
A Prefeitura do Rio informou ainda que alunos do Educandário Gonçalves de Araújo, mantido pela Irmandade da Candelária, participariam em abril de uma oficina de Educação Patrimonial para aprender a produzir um vitral.
A restauração reforça a importância da preservação de bens históricos em uma cidade marcada por monumentos, memória religiosa e circulação intensa de moradores, trabalhadores e visitantes no Centro.
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