
Jardim Botânico do Rio de Janeiro // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons
Palmeiras de quase 40 metros ladeiam quem entra pelo portão da Zona Sul do Rio de Janeiro. Fundado em 1808 por Dom João VI, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro reúne 3.400 espécies em 54 hectares tombados como patrimônio nacional.
A palmeira que virou símbolo de poder imperial
Em 1809, Dom João plantou com as próprias mãos a primeira muda de palmeira-imperial (Roystonea oleracea) trazida das Antilhas. Batizada de Palma Mater, ela floresceu pela primeira vez em 1829 e originou todas as palmeiras imperiais espalhadas pelo Brasil. O então diretor Bernardo José de Serpa Brandão mandava queimar os frutos para que o jardim mantivesse o monopólio da espécie, mas escravizados subiam à noite para colher e vender as sementes na clandestinidade.
Jardim Botânico do Rio de Janeiro // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons
A Palma Mater foi destruída por um raio em 1972, quando media 38,70 metros. O tronco está em exposição no Centro de Visitantes. Em seu lugar, cresceu a Palma Filia, nascida de uma semente da árvore original. A aleia principal, batizada Barbosa Rodrigues, exibe cerca de 140 exemplares enfileirados ao longo de 740 metros, segundo o Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
Jardim Botânico do Rio de Janeiro // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons
O que não perder dentro do Jardim?
O roteiro interno pode durar de duas a quatro horas, dependendo do ritmo. Carrinhos elétricos percorrem os caminhos principais para quem prefere poupar as pernas.
Orquidário: estufa com cerca de 830 espécies brasileiras e estrangeiras de orquídeas. Algumas exalam aromas de frutas, mel e chocolate.
Lago Frei Leandro: espelho d’água com vitórias-régias e ninfeias, criado pelo primeiro diretor científico do jardim, o botânico Frei Leandro do Santíssimo Sacramento, na década de 1820.
Chafariz das Musas: construído na Inglaterra, decorado com as deusas gregas da ciência, da história, da poesia e das artes.
Portal da Academia de Belas Artes: remanescente do prédio demolido em 1938, projetado pelo arquiteto francês Grandjean de Montigny. Fica na própria aleia das palmeiras.
Espaço Tom Jobim: homenagem ao compositor que celebrou o bairro em suas canções. Recebe exposições e eventos culturais.
Quem planeja visitar um dos maiores cartões-postais do Rio de Janeiro, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Traz o Passaporte, que conta com mais de 1.700 visualizações, onde é apresentado um guia completo sobre o Jardim Botânico, incluindo valores, dicas de repelente e as principais atrações históricas:
Estufas históricas e coleções científicas
O Jardim Botânico não é apenas passeio. É uma instituição de pesquisa vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), com o maior herbário do Brasil: 600 mil amostras desidratadas e uma biblioteca com mais de 32 mil volumes especializados em botânica. A UNESCO reconheceu a área como parte da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica.
A Estufa de Mestre Valentim, dedicada a samambaias, homenageia o artista que criou as primeiras obras em metal fundido no país. O Cactário e o Bromeliário completam o circuito de coleções vivas. Nos canteiros do Palmettum, estão representadas cerca de 190 das 2.600 espécies conhecidas de palmeiras no mundo, com 1.780 exemplares.
Jardim Botânico do Rio de Janeiro // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons
Quando visitar o Jardim Botânico?
O outono e o inverno oferecem temperaturas amenas e menor lotação. O verão é mais quente, mas as copas das árvores garantem sombra ao longo de quase todo o percurso.
☀️
Verão
Dezembro – Fevereiro
23°C a 32°C
O calor intenso do Rio é amenizado pelas copas das árvores. Chegue bem cedo e aproveite a sombra. Evite caminhar pelo parque ao meio-dia.
💧 Chuva Alta
🍂
Outono
Março – Maio
20°C a 28°C
As chuvas constantes de verão recuam, trazendo uma luz espetacular que atravessa as palmeiras. É a melhor época para fotografias.
☁️ Chuva Média
❄️
Inverno
Junho – Agosto
17°C a 25°C
Temperaturas baixas e clima sequinho. O parque fica imensamente agradável, permitindo um passeio longo e confortável por horas a fio.
🎒 Melhor Época
🌸
Primavera
Setembro – Novembro
19°C a 28°C
O parque exibe um colorido especial e as espécies ganham vida na transição climática. Não perca a impressionante floração no orquidário.
☁️ Chuva Média
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
O arboreto abre de quinta a terça, das 8h às 17h. Às quartas, o horário é reduzido: das 11h às 17h. Meia-entrada para estudantes, pessoas com deficiência e jovens até 21 anos. Crianças até 5 anos têm gratuidade. Informações atualizadas sobre valores e agendamento estão no site do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
Como chegar ao Jardim Botânico saindo de Niterói?
A distância entre o centro de Niterói e o Jardim Botânico é de aproximadamente 25 km. De carro, o trajeto leva entre 40 minutos e 1h15, dependendo do trânsito. A rota mais direta cruza a Ponte Rio-Niterói, segue pelo Aterro do Flamengo e depois pela Rua Jardim Botânico. Há estacionamento particular com desconto no Jockey Club, com entradas pela Rua Jardim Botânico, 1003, e pela Praça Santos Dumont, 31.
De transporte público, a combinação mais prática é a barca de Niterói até a Praça XV (cerca de 20 minutos), seguida de metrô até a estação Botafogo e ônibus Metrô na Superfície no sentido Gávea, com parada na estação Jardim Botânico. O trajeto completo leva entre 1h e 1h30. O ideal é chegar logo na abertura para aproveitar a luz da manhã nas alamedas e evitar filas na bilheteria, especialmente aos fins de semana.
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Um pedaço de 1808 que ainda cresce
O Jardim Botânico concentra mais de dois séculos de história em alamedas sombreadas por árvores centenárias, estufas com espécies raras e um acervo científico de referência continental. A Palma Filia segue crescendo no mesmo ponto onde Dom João VI fincou a primeira muda, e o orquidário continua revelando perfumes que nenhuma perfumaria consegue replicar.
Você precisa atravessar a baía numa manhã de sol, entrar pelo portão da Rua Jardim Botânico e caminhar sob as 140 palmeiras imperiais para sentir o peso e a beleza de um jardim que é laboratório, museu e refúgio ao mesmo tempo.
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