
Na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, uma laguna com salinidade superior à do oceano se estende por seis municípios. Araruama fica no coração dessa imensidão de 220 km², onde ventos constantes, águas mornas e areia branca transformam a paisagem num cenário que mistura Caribe e salina.
Por que a laguna é mais salgada que o mar
A Lagoa de Araruama é, tecnicamente, uma laguna: conecta-se ao Oceano Atlântico pelo Canal do Itajuru, em Cabo Frio, com cerca de 17 km de extensão. A salinidade da água chega a 52%, uma vez e meia acima da média oceânica. O fenômeno se explica pelo clima semiárido local, com evaporação anual de até 1.400 mm contra precipitação de apenas 750 mm, e pela contribuição mínima de rios de pequeno porte.
Essa combinação faz da laguna o maior ecossistema lagunar hipersalino em estado permanente do mundo, superando o Grande Lago Salgado nos Estados Unidos, o Lago Coorong na Austrália e o Lago Enriquillo na República Dominicana. A idade estimada do sistema varia entre 5 e 7 mil anos.
Praia de Iguabinha, Araruama | Créditos: Wikimedia Commons / Guilherme Alves dos Santos
Salinas, sambaquis e cavalos-marinhos na mesma margem
A produção de sal marcou a economia regional por mais de um século. Entre 1870 e 1960, a laguna foi a maior fonte de extração de sal do Brasil. Até hoje, cerca de 20 salinas operam na região, produzindo 15 mil toneladas anuais. A cultura dos tapetes de sal, confeccionados durante o Corpus Christi, nasceu dessa abundância e se mantém viva nas ruas de Araruama.
O município também guarda cerca de 20 sítios arqueológicos cadastrados, incluindo sambaquis em Itaipu. O Museu Arqueológico de Araruama, fundado em 2006, funciona na sede da Fazenda Aurora, prédio neoclássico de 1862 tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural. Nas margens mais limpas, cavalos-marinhos voltaram a se reproduzir, sinal direto da recuperação ambiental da laguna.
Lagoa de Araruama, RJ | Créditos: Wikimedia Commons / DELANO CAMPELLO
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O que fazer entre a laguna e o oceano
Araruama oferece praias de lagoa e praias oceânicas em lados opostos da cidade. As de lagoa têm água rasa, morna e sem ondas, perfeitas para crianças. As oceânicas, na Praia Seca, pertencem à Restinga de Massambaba e preservam faixas de areia praticamente intocadas.
Praia de Iguabinha: trecho mais limpo da laguna, com areia clara e quiosques. Vista para o espelho d’água aberto.
Orla Oscar Niemeyer: calçadão de mais de 10 km à beira da lagoa, com ciclovia e pôr do sol panorâmico.
Praia Seca: distrito com 14 km de faixa oceânica, mar aberto e pouco movimento. Águas cristalinas onde já foram avistados cavalos-marinhos.
Mirante da Paz: no topo do Morro de Itatiquara, vista da laguna inteira e das cidades vizinhas até Cabo Frio e Saquarema.
Lagoa de Juturnaíba: única lagoa de água doce da região, abastece toda a Região dos Lagos. Em suas margens fica a Reserva Biológica de Poço das Antas, habitat do mico-leão-dourado.
Os ventos de nordeste transformam Araruama em uma das melhores raias do país para kitesurf e windsurf. O espelho plano, sem ondas, e as águas rasas por centenas de metros criam condições ideais para iniciantes e atletas.
Quem busca tranquilidade à beira-mar, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Praia e Viagem, que conta com mais de 6.900 visualizações, onde é mostrada a beleza da Praia de Iguabinha, em Araruama, no RJ:
Como chegar saindo de Niterói
O trajeto de carro parte de Niterói pela BR-101 (Rodovia Mário Covas) até Rio Bonito, onde se acessa a Via Lagos (RJ-124). São aproximadamente 120 km e cerca de 1h30 a 2h de viagem, dependendo do trânsito. Outra opção é a Rodovia Amaral Peixoto (RJ-106), estrada litorânea que começa em Niterói e passa por Maricá e Saquarema. Esse caminho é mais longo, mas acompanha a costa e oferece paisagens bonitas.
De transporte público, ônibus intermunicipais saem do Terminal Rodoviário de Niterói com destino a Araruama. O tempo de viagem varia entre 2h e 2h30. Para quem vem do Rio de Janeiro, basta atravessar a Ponte Rio-Niterói e seguir pela mesma rota da Via Lagos.
Quando vale a pena cruzar a Via Lagos
O clima semiárido garante sol na maior parte do ano, com média de 845 mm de chuva anual. O verão é quente e movimentado, com temperaturas que passam dos 30°C. O outono e o inverno oferecem dias ensolarados e praias mais vazias.
☀️
Verão
Dezembro – Fevereiro
23°C a 33°C
O clima semiárido ferve! Perfeito para curtir as praias oceânicas e a lagoa. Evite a Via Lagos nos horários de pico dos feriados para não ficar preso no trânsito escaldante.
⭐ Alta Temporada
🍂
Outono
Março – Maio
20°C a 29°C
O vento e a calmaria tomam conta. A cidade e a orla ficam deliciosas, oferecendo a janela perfeita para o kitesurf e passeios de ciclismo sem superlotação.
☁️ Chuva Média
❄️
Inverno
Junho – Agosto
16°C a 25°C
Os dias são ensolarados, o céu é de um azul anil e as praias ficam vazias. É a melhor fase para fotografar os mirantes e as clássicas salinas da região.
🌤️ Chuva Baixa
🌸
Primavera
Setembro – Novembro
18°C a 28°C
Os termômetros voltam a subir sem exagero. O clima convida para o windsurf e para curtir o maravilhoso pôr do sol na lagoa antes da superlotação do verão.
☁️ Chuva Média
A laguna que vale a travessia
Araruama guarda uma raridade geológica de 7 mil anos no meio da Região dos Lagos. A combinação de laguna hipersalina, praias oceânicas preservadas, salinas centenárias e ventos constantes é única no litoral brasileiro.
Você precisa encostar na Orla Oscar Niemeyer ao entardecer, sentir a brisa salgada e ver o sol mergulhar atrás de uma laguna que é mais salgada que qualquer mar que você já conheceu.
O post A maior laguna hipersalina do planeta fica a 1 hora de Niterói e quem visita uma vez sempre volta apareceu primeiro em Cidade de Niterói.
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