
Luciana Borghi
Estes dias estava pensando em escrever sobre o amor. Festas juninas que celebram Santo Antônio estão chegando, Dia dos Namorados também, então o assunto começa a surgir nos bailes e bares da vida.
Eis que minha querida amiga e atriz, Luciana Borghi, surge em cartaz no Teatro do Centro Cultural da Justiça Federal, na Cinelândia, nos finais de semana deste mês de maio inteirinho, com seu belíssimo espetáculo – o monólogo ‘Na Casa do Rio Vermelho – O Amor de Zélia e Jorge’, que revive a história de Zélia Gattai. Eu fui na estreia, amei e recomendo fortemente.
Luciana Borghi
Com texto e direção do autor Renato Santos, nota-se que houve uma intensa pesquisa sobre a vida e a obra de Zélia, escritora e mulher de Jorge Amado. O espetáculo já passou por Salvador, São Paulo e agora é parada obrigatória dos fãs do bom teatro carioca. E nem precisa ficar com medo de ir à Cinelândia, porque o horário é vespertino: sessão às 16 horas, sábados e domingos – com a segurança do metrô e VLT na frente do teatro, que cabe cerca de 200 pessoas e é uma das salas mais charmosas do Centro do Rio. Muito próximo para quem vai e vem de Barca, estimulando a presença da plateia niteroiense, enquanto a peça não é encenada em algum teatro da cidade.
Luciana Borghi é incrível, atua e canta muito bem as músicas no espetáculo, e está completamente dentro da personagem de Zélia. Vale muito conhecer o trabalho desta atriz carioca, moradora de São Paulo, e com o pé na Bahia. Na penumbra suave de um palco que respira memória, nasce ‘A Casa do Rio Vermelho’ — não como um simples espetáculo, mas como um gesto de amor que se recusa a desaparecer. É ali, entre palavras sussurradas e silêncios carregados de saudade, que Zélia revive Jorge. Não o escritor consagrado, não o nome impresso nas lombadas, mas o homem cotidiano: o riso fácil, o olhar cúmplice, a presença que preenchia a casa e agora ecoa em sua ausência. Zélia não apenas recorda — ela reconstrói. Cada lembrança é uma peça delicada de um mosaico afetivo, onde o tempo deixa de ser linear e passa a pulsar conforme o coração. O amor entre eles não é narrado como um romance idealizado, mas como algo vivido: imperfeito, intenso, profundamente humano. É nas pequenas coisas que ele se revela — no cheiro do café, no som da máquina de escrever, nos gestos que, de tão simples, se tornam eternos.
Com músicas de Dorival Caymmi e Vinicius de Moraes, amigos íntimos do casal, o cenário formado por Renato Santos conduz o espectador à sala ou à varanda da casa na Bahia, ambiente esse que é complementado pelas memórias de Zélia.
Tenho histórias tão maravilhosas com a Borghi, nos anos 90 e 2000, lá pela Gávea e com a companhia de gente linda e saudosa como Nilson ‘Primitivo’ Gonzalez, que cabe uma coluna à parte. Outras, mais recentes. Sobrinha do genial ícone do teatro nacional Renato Borghi, Luciana é daquelas atrizes que carrega o personagem no olhar. Pura, simples, mas enérgica e viva. Carinhosa, mas questionadora. Sua interpretação merece muitas loas.
O monólogo transforma a saudade em presença. Ao falar de Jorge, Zélia o traz de volta, ainda que por instantes. E o público, testemunha desse reencontro íntimo, percebe que amar alguém é também continuar vivendo com aquilo que ficou — as histórias, os hábitos, as marcas invisíveis que insistem em permanecer.
A Casa do Rio Vermelho é, acima de tudo, um convite a reconhecer que o amor não termina com a ausência. Ele se reinventa na memória, na palavra dita, na emoção compartilhada. E, enquanto houver alguém para lembrar, haverá também uma casa acesa — onde o amor segue morando.
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Viva o amor. O meu, o seu, o deles. Porque é isso que nos guia pela eternidade. Até a próxima coluna, querido leitor.
O post Da alegria de termos Luciana Borghi vivendo Zélia Gattai apareceu primeiro em Cidade de Niterói.
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