
Essa cidade vizinha de Niterói tem 5 praias escondidas na Baía de Guanabara e abriga 80% dos manguezais que restam // IMAGEM ILUSTRATIVA
A poucos minutos do Centro de Niterói, São Gonçalo recebe quem chega com cheiro de maresia, peixe frito nos quiosques e um pôr do sol que pinta a Baía de Guanabara de laranja. Com 960 mil habitantes, a 2ª cidade mais populosa do estado guarda 5 praias escondidas e parte da APA que abriga mais de 80% dos manguezais que ainda restam na baía.
Por que essa vizinha de Niterói tem praias escondidas que poucos conhecem?
São Gonçalo abriga 5 praias dentro da Baía de Guanabara: Luz, São João, Beira, Boioia e a famosa Praia das Pedrinhas, no bairro de Boa Vista. Por estarem na parte interna da baía, essas faixas de areia ficam fora do circuito tradicional do turismo fluminense e são usadas principalmente para contemplação e gastronomia caiçara, não para banho de mar.
A Praia das Pedrinhas é a mais conhecida do grupo. Tem origem no século XVI, quando funcionava como porto de escoamento de embarcações na época do ciclo do pau-brasil. A região era chamada de Ibirapitanga pelos tupinambás. Hoje, mantém uma colônia de pescadores ativa com cerca de 300 barcos, segundo registros da Biblioteca do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
São Gonçalo, Rio de Janeiro // Créditos: Wikimedia Commons
O que faz a APA de Guapi-Mirim ser um tesouro ambiental do leste fluminense?
A Área de Proteção Ambiental de Guapi-Mirim foi criada pelo Decreto 90.225 de 25 de setembro de 1984 e é a primeira Unidade de Conservação de manguezais do Brasil. Tem 14.300 hectares distribuídos entre os municípios de Magé, Guapimirim, Itaboraí e São Gonçalo, no recôncavo leste da Baía de Guanabara.
De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a APA abriga espécies ameaçadas como o jacaré-do-papo-amarelo, a biguatinga e a marreca-caneleira, além de ser o último refúgio dos botos-cinza na baía. Os passeios de barco permitem observar manguezais conservados, rios que ainda serpenteiam sem retificação e o trabalho dos catadores de caranguejo da região.
São Gonçalo, Rio de Janeiro // Créditos: Wikimedia Commons
Vale a pena viver na cidade?
Vale para quem busca proximidade com Niterói e o Rio com custo mais baixo. Segundo o IBGE, a cidade tem 248,159 km² de área e densidade demográfica de 3.613 habitantes por km², com taxa de escolarização de 6 a 14 anos de 97,65%.
A Prefeitura de São Gonçalo tem investido em obras de infraestrutura que mudam o dia a dia dos moradores. O MUVI (Mobilidade Urbana Verde Integrada), maior projeto de mobilidade já executado na cidade, soma R$ 287 milhões e vai ligar Neves a Guaxindiba em 18 km de corredor viário. O bairro de Santa Izabel recebe R$ 174 milhões em drenagem, calçadas e pavimentação de mais de 140 ruas, segundo a Prefeitura Municipal de São Gonçalo.
Reconhecimento por urbanismo e revitalização da orla
O projeto de revitalização da orla da Praia das Pedrinhas, contratado pela Prefeitura e assinado pelo arquiteto e paisagista Duarte Vaz, foi premiado na 60ª Premiação Anual do Instituto de Arquitetos do Brasil RJ (IAB-RJ), na categoria Urbanismo, Planejamento e Cidades.
As obras já entregaram um novo calçadão, decks pergolados, arquibancada para contemplação do pôr do sol e um sistema que eleva a faixa de areia até o nível do calçadão, mesmo durante a maré alta. A intervenção também inclui ecobarreira no mar para conter resíduos e plantio de espécies nativas, conforme informações da Prefeitura de São Gonçalo. O Parque RJ, no antigo piscinão do Boa Vista, soma R$ 44 milhões em investimentos.
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O que fazer na cidade gonçalense
O melhor da cidade está nos espaços de natureza preservada e nos vestígios da colonização. Estas são as paradas que valem o passeio:
Praia das Pedrinhas: orla revitalizada com calçadão, decks, quadra poliesportiva e o pôr do sol mais bonito do leste fluminense, com vista para o Pão de Açúcar.
APA de Guapi-Mirim: passeios de barco pelos manguezais, observação de aves e dos botos-cinza com agendamento via ICMBio ou operadoras locais.
Fazenda Colubandê: construída no século XVII, é um dos maiores patrimônios históricos da cidade, em arquitetura colonial preservada.
Igreja Matriz de São Gonçalo: principal referência religiosa do município, ponto de partida do tradicional tapete de sal do Corpus Christi.
Tapete de sal de Corpus Christi: considerado o maior da América Latina em homenagem ao corpo de Cristo, atrai visitantes todo ano.
Distrito de Neves: berço histórico da Umbanda no Brasil, fundada na cidade no início do século XX por Zélio Fernandino de Moraes.
A culinária do município gira em torno da pesca caiçara. Nos quiosques da Praia das Pedrinhas, o cardápio repete peixe frito, casquinha de siri, caranguejo na casca e camarão na chapa. Os bares da orla servem porções generosas com vista direta para a baía e os barquinhos ancorados.
Quem busca o que fazer de graça no Rio de Janeiro, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rio Para Pobres, que conta com mais de 161 mil visualizações, onde Igo Braga mostra as belezas e curiosidades de São Gonçalo:
Qual a melhor época para visitar a cidade?
O verão é a alta temporada, com mais chuva à tarde, e o outono entrega tardes mais limpas para curtir a orla. Veja o resumo por estação:
🌅Verão
Dezembro a fevereiro23°C a 32°C
A alta temporada traz o calor e as chuvas de fim de tarde. Aproveite as horas agradáveis para relaxar e admirar o pôr do sol nos quiosques da orla.
💧 Chuva Alta / Alta Temp.
⛵Outono
Março a maio21°C a 29°C
As chuvas diminuem, deixando as tardes com o céu mais limpo. O clima ameno cria a janela perfeita para um tranquilo passeio de barco na APA.
☁️ Chuva Média
🏛️Inverno
Junho a agosto17°C a 26°C
A estação oferece o melhor clima, seco e fresco! Com menos movimento, é o momento ideal para um mergulho na história com uma visita à Fazenda Colubandê.
⭐ Tempo Seco / História
🦜Primavera
Setembro a novembro19°C a 28°C
As temperaturas começam a subir e a natureza desperta. Um período rico e muito convidativo para a fantástica observação de aves nos manguezais.
☁️ Chuva Média / Natureza
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Vale conhecer a vizinha de Niterói
São Gonçalo guarda um lado pouco explorado da Região Metropolitana fluminense. Tem orla revitalizada premiada, manguezais protegidos por lei federal há mais de 40 anos e uma agenda de investimentos públicos que vem mudando bairros inteiros.
Você precisa atravessar a Ponte do Centro de Niterói num fim de tarde e descobrir por que a cidade gonçalense está se reinventando como destino de natureza e contemplação a poucos minutos da capital.
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