
Iguaba Grande aparece espremida entre a Lagoa de Araruama e a Serra de Sapiatiba (imagem ilustrativa)
A cerca de 112 km de Niterói, pela Via Lagos (RJ-124), a cidade de Iguaba Grande aparece espremida entre a Lagoa de Araruama e a Serra de Sapiatiba. A viagem leva entre 1h40 e 2 horas. Quem chega encontra águas mornas e rasas, palmeiras imperiais centenárias na orla e uma tranquilidade que as vizinhas Cabo Frio e Búzios perderam há tempos. A cidade tem cerca de 28 mil habitantes e um ritmo que ainda lembra o vilarejo de 500 moradores que existia aqui nos anos 1940.
Por que rochas de 2 bilhões de anos afloram à beira da lagoa?
Na beira da Lagoa de Araruama, no bairro Cidade Nova, uma extensa laje de cor creme chamada Pedra da Salga guarda uma história que começa no período Paleoproterozoico. A rocha tem datação estimada em 2 bilhões de anos e faz parte do Complexo Região dos Lagos, segundo o Geoparque Costões e Lagunas. Pescadores tupinambás e jesuítas usavam essa pedra como salina natural para secar e salgar peixes, o que deu origem ao nome.
Ao lado da Pedra da Salga, pesquisadores descobriram em 2008 a Pedra do Lagarto, uma rocha de 11 metros de comprimento em formato de réptil, com sulcos talhados que podem ter sido produzidos por povos sambaquianos entre 5.000 e 3.000 anos atrás. A própria Lagoa de Araruama é considerada a maior laguna hipersalina em regime permanente do mundo, com cerca de 220 km² e águas que chegam a ser uma vez e meia mais salgadas que o oceano.
Iguaba Grande, Rio de Janeiro // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons
Que projeto pode dar selo da UNESCO à região?
Iguaba Grande integra o território do Geoparque Aspirante Costões e Lagunas, candidato a Geoparque Mundial da UNESCO. O projeto abrange 16 municípios do litoral norte e leste do Rio de Janeiro, com mais de 460 km de costa e rochas que contam 2 bilhões de anos de história geológica. Em julho de 2024, dois avaliadores da UNESCO visitaram a região para analisar as condições do território. O resultado da avaliação será divulgado após a Assembleia Geral da organização.
A cidade também é protegida pela APA da Serra de Sapiatiba e pelo Parque Estadual da Costa do Sol, áreas de sobreposição de unidades de conservação com espécies ameaçadas de extinção. A Prefeitura de Iguaba Grande destaca que a lagoa sustenta pescadores, refresca visitantes e atrai pesquisadores do mundo inteiro.
Iguaba Grande, Rio de Janeiro // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons
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O que fazer entre a lagoa e a serra em um dia?
O roteiro funciona bem como bate-volta de Niterói. As atrações ficam próximas e podem ser combinadas em um único dia:
Ilha de Santa Rita: a 400 m da praia de Cidade Nova, pode ser alcançada caminhando pela lagoa (profundidade na altura da canela). Abriga um oratório de 1917 e oferece um dos pores do sol mais bonitos da Região dos Lagos. Use tênis para a travessia.
Pedra da Salga e Pedra do Lagarto: sítio geológico e arqueológico à beira da lagoa. A laje de 2 bilhões de anos e a rocha em forma de lagarto ficam no mesmo local, no bairro Cidade Nova.
Ponta da Farinha: reserva ecológica a 5 km do centro, dentro do Núcleo Experimental da UFF. Caminhada pela faixa de areia com afloramentos de gnaisses e vista da evolução da lagoa.
Orla das Palmeiras Imperiais: 3,6 km de calçadão com ciclovia à sombra de palmeiras centenárias. Quiosques espaçados e águas calmas para banho.
Morro dos Canelas: a 80 m acima do nível do mar, mirante com vista de Iguaba Grande, São Pedro da Aldeia, Arraial do Cabo e toda a extensão da lagoa.
Para famílias com crianças, a Lagoa de Bulcão (Parque Ecológico Célia Barbosa da Silva) tem trilhas leves, playground e área de pesca recreativa.
Quem quer descobrir os encantos da Região dos Lagos, vai curtir esse vídeo do canal Rio Para Pobres, que conta com mais de 62 mil visualizações, onde Will Braga mostra o que fazer em Iguaba Grande:
Quando a lagoa esquenta e quando o vento chama os esportes?
O clima é tropical com verões quentes e invernos amenos. A Região dos Lagos tem menos chuva que a capital, o que garante bons dias de sol na maior parte do ano. A tabela abaixo resume o que esperar em cada período:
☀️Verão
Dezembro – Fevereiro
23°C a 33°C
Os termômetros disparam e a água da lagoa esquenta de forma deliciosa. Desfrute muito da grande alta temporada para o banho revigorante na lagoa e visite a charmosa Ilha de Santa Rita.
💧 Chuva Alta
🍂Outono
Março – Maio
21°C a 29°C
O clima entra em equilíbrio (menos chuva e sem o sufoco do calorão) enquanto a multidão recua. Excelente fase panorâmica e tranquila para focar nas trilhas na serra e explorar a Ponta da Farinha.
☁️ Chuva Média
❄️Inverno
Junho – Agosto
17°C a 25°C
Como a Região dos Lagos costuma ter menos chuva que a capital, o inverno fica absurdamente seco. É o momento exato e rústico para aproveitar os bucólicos circuitos rurais e a clássica pesca na lagoa.
🎒 Tempo Seco
🌸Primavera
Setembro – Novembro
20°C a 28°C
Os ventos chamam para os esportes aquáticos na Costa do Sol! A temperatura volta a subir amigavelmente, sendo a janela indispensável para a prática de kitesurf e deliciosos passeios culturais.
💨 Esportes Náuticos
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Os ventos constantes da primavera e do início do verão fazem da lagoa um dos melhores pontos da região para kitesurf e windsurf.
Qual é o melhor caminho saindo de Niterói?
A rota mais rápida sai de Niterói pela BR-101 até Manilha, entra na Via Lagos (RJ-124) em Rio Bonito e segue até Araruama. De lá, a Rodovia Amaral Peixoto (RJ-106) leva direto a Iguaba Grande. O percurso total é de cerca de 112 km, com tempo médio de 1h40 a 2 horas.
Quem prefere a rota litorânea pode seguir pela RJ-106 desde São Gonçalo, passando por Maricá e Saquarema, num trajeto de aproximadamente 119 km com trechos de pista simples e paisagens da costa. De ônibus, linhas da 1001 saem do Terminal Rodoviário de Niterói com destino a São Pedro da Aldeia e fazem parada em Iguaba Grande.
Tire os sapatos e atravesse a lagoa até a ilha
Iguaba Grande é o tipo de destino que surpreende justamente por não tentar impressionar. A cidade não compete com as vizinhas em badalação nem em infraestrutura turística. O que oferece é mais raro: uma lagoa hipersalina com rochas de 2 bilhões de anos na margem, uma ilha acessível a pé e um ritmo que ainda permite chegar na praia sem disputa por estacionamento.
Você precisa calçar um tênis velho, cruzar a lagoa até a Ilha de Santa Rita e esperar o sol descer atrás da Serra de Sapiatiba. Leve uma toalha, porque a volta é pela água.
O post A 1 hora de Niterói, a cidade que Búzios e Cabo Frio esqueceram: com águas mornas e 28 mil moradores apareceu primeiro em Cidade de Niterói.
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