
Ilha de Paquetá, Rio de Janeiro // Créditos: depositphotos.com / brunomartins246
A barca sai da Praça XV e, em pouco mais de uma hora, entrega o passageiro num bairro do Rio de Janeiro onde não circulam automóveis, as ruas não têm asfalto e o meio de transporte mais popular é a bicicleta. A Ilha de Paquetá, com 1,2 km² e cerca de 3.500 moradores, flutua na Baía de Guanabara como um fragmento do Brasil colonial que resistiu ao século XXI.
Da França Antártica ao refúgio de Dom João VI
O primeiro registro europeu de Paquetá é de 1555, anterior à própria fundação do Rio de Janeiro. O cosmógrafo francês André Thevet, da expedição de Villegagnon, mapeou a ilha durante a tentativa de criar a França Antártica. Dez anos depois, Estácio de Sá expulsou os franceses e dividiu Paquetá em duas sesmarias entre seus capitães, segundo registros compilados pela MultiRio, portal da Secretaria Municipal de Educação.
A ilha ganhou prestígio quando Dom João VI passou a frequentá-la a partir de 1808. O casarão que o abrigava, conhecido como Solar Del-Rei, hoje funciona como biblioteca pública. José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência, exilou-se em Paquetá em 1829 e viveu ali seus últimos anos. A casa onde morou é hoje a Casa de Cultura José Bonifácio.
Ilha de Paquetá – Créditos: (depositphotos.com / brunomartins246)
O que visitar na ilha sem pressa e sem motor?
Paquetá se percorre a pé ou de bicicleta, que pode ser alugada logo na saída da barca. O perímetro de 8 km rende um passeio de meio dia com paradas para fotos, banho e história. As atrações que merecem uma pausa mais longa são:
Pedra da Moreninha: mirante natural na ponta sul da ilha, acessível por escadaria curta. Vista panorâmica da Baía de Guanabara, da Ponte Rio-Niterói e do Pão de Açúcar.
Ponte da Saudade: pequeno píer na Praia José Bonifácio, cercado pela lenda do escravo que rezava ali pedindo notícias de sua família. Ponto clássico para fotos ao entardecer.
Parque Darke de Mattos: área verde com trilha até o Morro da Cruz, mirante mais alto da ilha. Vista de 360 graus da baía e da Serra dos Órgãos ao fundo.
Baobá Maria Gorda: árvore africana centenária da espécie Adansonia digitata, tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (INEPAC). A tradição local diz que quem a beija garante sorte.
Praia dos Tamoios: a faixa de areia mais extensa da ilha, com vista para a Serra Fluminense. Ao lado fica o Parque dos Tamoios, com monumento ao compositor Carlos Gomes.
Se você quer fugir da agitação da capital fluminense e viajar no tempo, vai adorar este vídeo do canal Rio Para Pobres, com mais de 441 mil visualizações. Will Braga mostra como aproveitar a Ilha de Paquetá, o bairro mais bucólico do Rio de Janeiro, com dicas práticas de como chegar, onde comer barato e o que visitar:
Uma ilha inteira tombada como patrimônio cultural
Desde 1999, Paquetá é classificada como Área de Proteção do Ambiente Cultural (APAC) pela Prefeitura do Rio de Janeiro. O decreto protege casarões coloniais, capelas, esculturas do artista Pedro Bruno e o traçado urbanístico da ilha. As praias foram tombadas pelo IPHAN ainda em 1938. O resultado é um cenário sem prédios altos, sem redes de fast food e sem o barulho de motores que define o restante da cidade.
A proibição de veículos automotores particulares é antiga e consolidada. Os únicos motorizados permitidos são ambulâncias, veículos de serviço essencial e os eletricotáxis que circulam pela ilha. Essa restrição criou um modo de vida único: moradores fazem compras de bicicleta, crianças brincam na rua e o silêncio à noite é quebrado apenas pelo mar.
Ancoradouro na Ilha de Paquetá | Créditos: Wikimedia Commons / Halley Pacheco de Oliveira
Leia também: A ilha perfeita para um bate e volta com praias sem nenhum carro e águas esmeraldas fica a menos de 3 horas de Niterói
Quando ir e como chegar de barca?
O clima acompanha o padrão do Rio de Janeiro: verões quentes com chuvas de verão e invernos amenos com céu aberto. A tabela abaixo orienta a escolha da época:
☀️
Verão
Dezembro – Fevereiro
24°C a 34°C
💧 Chuva alta
O clima carioca de muito calor e pancadas de tarde se faz presente. Aproveite bastante as praias, pedalada pela orla e mergulho.
🍂
Outono
Março – Maio
22°C a 30°C
☁️ Chuva média
O clima fica incrível na Baía de Guanabara, com muito sol mas sem suor excessivo. Uma ótima fase para trilhas, mirantes e fotos.
❄️
Inverno
Junho – Agosto
18°C a 25°C
🎒 Melhor Época
Com o clima ameno e sem tempestades, caminhar pela ilha é um charme. Conheça as ruas de saibro, o passeio histórico e as feiras.
🌸
Primavera
Setembro – Novembro
20°C a 30°C
☁️ Chuva média
O colorido exuberante da ilha bucólica reaparece vibrante e com sol. Ótimo período para alugar e dar uma volta completa de bicicleta.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
A travessia parte da Praça XV, no centro do Rio. Barcas tradicionais levam cerca de 70 minutos e operam nos fins de semana e feriados. Em dias úteis, catamarãs fazem o trajeto em aproximadamente 35 minutos. Os horários e tarifas atualizados estão no site da CCR Barcas. A própria travessia já é atração: o percurso passa pela Ilha Fiscal, cruza sob a Ponte Rio-Niterói e oferece panorâmica da Serra dos Órgãos.
Uma viagem de volta no tempo a 15 km do centro
Paquetá é o tipo de destino que não exige roteiro apertado. A ilha pede calma, pedal lento e paradas sem hora marcada. É raro encontrar, dentro de uma metrópole de sete milhões de habitantes, um lugar onde se dorme de janela aberta e o vizinho ainda acena da calçada.
Se você quer conhecer um Rio de Janeiro que não aparece nos cartões-postais, embarque na barca da Praça XV e deixe que Paquetá faça o resto.
O post Sem carros e a 1 hora de Niterói: a ilha dentro do Rio que parou no tempo, perfeita para um bate e volta apareceu primeiro em Cidade de Niterói.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias do Portal de Notícias no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






